sábado, 24 de novembro de 2012

ACADEMIA BRASILEIRA DE DEFESA DISCURSO DE SAUDAÇÃO


Excelentíssimo Senhor Presidente da Academia Brasileira de Defesa
Tenente-Brigadeiro do Ar Ivan Frota

Excelentíssimas autoridades à mesa de honra, e demais autoridades presentes a esta solenidade.

Minhas Senhoras e meus Senhores

               A Academia Brasileira de Defesa foi fundada com o espírito de reunir homens e mulheres patriotas e com profissão de fé pela Democracia e pelo Estado de Direito, com um passado e um presente inatacáveis, oferecendo seus nomes e biografias em benefício do Brasil. O capital moral de cada um que hoje toma posse se associa ao capital profissional de serviços prestados à Pátria, produzindo uma riqueza ainda maior quando em convívio com todo o corpo acadêmico, pois o resultado da soma qualitativa das partes é muito superior à soma quantitativa das individualidades. É uma grande e intransferível honra ser membro da Academia Brasileira de Defesa, que pereniza a todo o corpo, acrescentando ainda mais brilho individual pela aceitação coletiva.

          As academias nascem pequenas. Entretanto, a grandeza da semente indica o perfil da colheita futura. Quero enfatizar a grandeza de todos os que hoje serão empossados, pois se associarão àquela dos que hoje a compõem, pois ofereceram a complexa trajetória pessoal de suas vidas para dar início a uma instituição que veio para fazer História. Acreditaram em algo muito maior. Saibam que as gerações futuras não vos esquecerão e vos serão extremamente gratas. Grandes espíritos têm a humildade de sempre recomeçarem, se reinventarem, criarem e apontarem novos caminhos. Grandes espíritos têm um só lado, assumem na plenitude os riscos das suas decisões. E estão certos.

          A Academia Brasileira de Defesa é uma grande Academia. Nascemos sob a égide da defesa da vida, do respeito e amor aos povos e nações, na melhor tradição do povo brasileiro. Essa vocação nos legitima e autoriza a propormos a fazer do Brasil uma das primeiras e mais importantes potências militares do mundo, justamente para a defesa desses valores da Humanidade. A civilização deve ser mais forte, mais inteligente e mais criativa que a barbárie. A democracia de Estado de Direito comparativamente aos totalitarismos também precisa ser superior.

        Nascida também da necessidade de organizar a voz crítica de cidadãs e cidadãos que viviam dispersos, oprimidos e silenciados pela poderosa organização criminosa que se apoderou do País e que agora começa a ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal, a Academia Brasileira de Defesa se propõe à restauração da República, à restauração dos mais elevados valores e princípios da civilização ocidental, de tradição judaico-cristã. Somos Ocidente, no sentido histórico do termo.

       Os subversivos do Estado Democrático de Direito de ontem e de hoje sempre golpearam o Estado a partir do comando do governo. Dão golpes no Estado e acusam os opositores de, ao restabelecerem o direito do Estado, de praticarem golpes de Estado. O Mensalão foi a Revolução Comunista Bolivariana no Brasil. A Revolução Bolivariana na América Latina tem por estratégia a simulação da preservação das formalidades democráticas para, do seu interior, subverter a todas elas. O resultado é uma ditadura totalitária com uma cobertura palatável de democracia. A liberdade é instrumentalizada para destruir a liberdade.    O totalitarismo no Brasil optou por comprar o poder legislativo federal para mais adiante comprar o Supremo Tribunal Federal e reduzir os três poderes ao poder executivo, e concentrar todos os poderes no Chefe do Executivo. O Golpe no Estado brasileiro é obra da Revolução Bolivariana através do Mensalão. Um golpe sutil, sorrateiro, secreto, silencioso e criminoso.

            As Forças Armadas Brasileiras têm o dever constitucional da defesa. As guerras contemporâneas provaram que a defesa de um país envolve forças armadas stricto sensu e forças de defesa lato sensu. As forças de defesa em sentido amplo são a riqueza industrial, comercial, cultural, diplomática, econômica, científica e tecnológica independentes. A lógica pós-moderna de defesa estabeleceu novas necessidades. A fragilidade científico-tecnológica impede um país em guerra de ter seus autônomos equipamentos militares, médicos, hospitalares, farmacêuticos, têxteis, arquitetônicos, agrícolas, pecuários, viários, cibernéticos, etc. A complexidade de uma guerra começa muito antes do caráter militar da guerra. Em verdade, se perde ou se ganha uma guerra muito tempo antes do começo tradicional pelas armas. O mundo pós-moderno ampliou o conceito de arma. Tudo é arma, ou tudo se torna uma arma, ao se iniciar um conflito bélico. Quem for pego despreparado é quase um candidato a assinar antecipadamente a rendição.

          Dissolvendo o monopólio de grupos totalitários nas discussões sobre defesa nacional, a Academia Brasileira de Defesa afasta-se conscientemente da infiltração ideológica na teoria da defesa. Ideologia não é pátria. Nossa pátria não é a ideologia, mas sim o Brasil. E o Brasil formado de pessoas reais, não um Brasil formal de pessoas virtuais. O verdadeiro patriotismo prega o amor à pátria sem ódio aos outros países. Essa a bela tradição brasileira. Nesse sentido somos conservadores, queremos conservar os mais elevados valores e princípios humanistas da civilização, e deles não nos afastamos, não capitulamos nem renunciamos, pois são universais. Sem eles somos nada, ou melhor, somos barbárie. Assim, somos também revolucionários, pois não nos acomodamos com as pretensas definitivas conquistas. Outra lição da História, é que nada é conquistado em definitivo, e as coisas, se não trabalharmos duro por elas, acabamos por perdê-las. Para conservar o excelente, precisamos de pequenas revoluções cotidianas.

         O verdadeiro conservador é um revolucionário, pois não acredita somente na mudança ou somente na manutenção. Conservar e revolucionar são faces da mesma moeda do bom senso histórico. Somos progressistas, pois acreditamos que podemos sempre avançar, mas por vezes avançar é não perder as grandes conquistas do passado.

        O renascimento das ideologias totalitárias no mundo em geral, e na América Latina em particular, foi um fator importantíssimo na decisão de reunirmos grandes nomes em torno de um denominador comum, um ponto centrípeto que nos unisse pela convergência maior. O mensalão mostrou que tínhamos razão. Nós há muitos anos já havíamos decifrado o código da Revolução Comunista Bolivariana no Brasil, mas pouca gente percebia.

          A violência contra inocentes no passado, no presente e no futuro deve ser a preocupação maior do sistema de defesa brasileiro. A consciência ingênua e mágica crê irracionalmente que a lógica da guerra vale para todos os países em vários milênios de história da humanidade, mas não vale para o Brasil pois somos especiais. Especialíssimos, talvez, para ficarmos de fora de todos os conflitos bélicos que regem o planeta Terra.

       Assim, caríssimas confreiras e caríssimos confrades, estamos aqui em festa para igualmente celebrar a dignidade das Forças Armadas Brasileiras, formadas por gente nossa de todas as regiões, que são um exemplo de amor à liberdade, à democracia e ao Estado de Direito. É motivo de orgulho para cada um de nós brasileiros, que tenhamos uma das forças armadas mais humanistas do mundo. Celebremos, pois, a chegada de novos acadêmicos e acadêmicas em um ambiente de convívio fraterno, sincero e produtivo. Temos grandes desafios, enormes obstáculos e muitos problemas, mas temos grandes espíritos, enormes capacidades e muitos corações, e sobretudo gigantesca nobreza da alma em defesa da vida humana sob todos os aspectos. Muito bem-vindos, a Academia Brasileira de Defesa vos pertencerá para sempre. Boa noite.

  
    Discurso de saudação de João Ricardo Moderno

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